Home crazy office: vida de mãe entre textos e fralda


13/05/2018
Por Grupo Cia de Talentos

Durante cinco anos, no início da minha carreira como jornalista, eu experimentei a rotina do trabalho em escritório. Sempre gostei daquela dinâmica, de conviver com tantas pessoas distintas, dos almoços e até dos perrengues em conjunto. Mas algo em mim pedia por mais autonomia e liberdade, então, decidi encarar voo solo e me tornei freelancer. Foi aí que o home office entrou em cena.

Trabalhar em casa nunca foi um fardo para mim, pelo contrário. Eu estava fazendo algo que me enchia de prazer: escrever. Colaborava para diversas publicações, de assuntos distintos, fazia entrevistas pessoalmente, conhecia histórias incríveis e pessoas sensacionais. Além disso, eu tinha conseguido estabelecer uma rotina de horários em casa, que eu cumpria à risca. Ok, eu confesso, às vezes, trabalhava um bocadinho mais, porque a gente perde a noção do tempo trabalhando em casa, isso é fato. A questão é que o home office sempre funcionou para mim. E essa rotina durou por três anos, quando a demanda cresceu e eu decidi empreender.

Voltei para o escritório, que agora era meu e contava com uma equipe para comandar. Minha agência de comunicação atendeu desde clientes pequeninos até grandões. Foram 7 anos de muita luta e muita conquista também. Não foi fácil, confesso, mas foi incrível. Meu negócio estava no auge quando decidi engravidar. Demorei um bocado pra ver as duas listras no exame de farmácia, mas quando ela chegou comemorei como se não houvesse amanhã.

Tudo ia bem: os negócios e o barrigão que crescia. Mas a vida é incerta e não ia demorar muito para eu aprender que nem sempre conseguimos ter o controle de tudo. Com 26 semanas de gestação precisei ser internada, mas continuei trabalhando da minha cama de hospital. O risco de um parto prematuro era grande e, por mais que eu tenha sido uma paciente obediente, Sofia nasceu com 30 semanas de gestação, prematura extrema, pesando 1.260 gr. E eu não fazia ideia do quanto isso mudaria minha vida.

Foram 36 dias de UTI Neonatal e uma grande decisão: fechar a agência. Voltei para casa com uma bebê de apenas 1.800 gr, pequenina, porém forte, que me mostrou que eu também poderia ser fortaleza. E ali, no meu home sweet office, eu voltei a ser jornalista freelancer. Mas havia uma “pequena” diferença: eu não estava mais sozinha, havia um bebê que precisava de cuidados.

Sofia cresceu – literalmente – trabalhando comigo. Aprendi a digitar com uma mão só, porque a outra estava segurando a pequena. Descobri que sling é vida, amarradinha em mim, ela mamava, dormia e eu trabalhava. Virei madrugadas trabalhando, enquanto ela dormia. Já tentei entrevistar fontes importantes enquanto ela chorava e meu coração já respirou aliviado quando um diretor de uma grande empresa, no meio da entrevista ouviu o choro e disse: “me liga depois, não deixa ela chorar, eu sei como é, também tenho filhos”. Também já troquei fralda enquanto fazia uma reunião por telefone e me transformei na rainha das mímicas e malabarismos para pedir silêncio, durante uma ligação importante. Hoje, ganhei uma secretária exemplar: outro dia, o vizinho desembestou a me chamar no portão e Sofia prontamente atendeu dizendo “minha mãe está numa reunião, depois ela fala com o senhor”.

E assim fomos crescendo juntas. Enquanto ela aprendia a andar, eu aprendia a ser mãe e profissional em casa. Não é fácil, afinal, eu estou ali, do ladinho dela, mas nem por isso estou sempre disponível. É preciso aprender a se concentrar e focar, mesmo com aquela voz doce e suave chamando mamãe. Juntas, aprendemos – diariamente – sobre limites, tempo e disponibilidade. Às vezes, é doído para nós duas. Mas eu não trocaria essa vida por nada, afinal, nenhuma outra formatação de trabalho me permitiria cuidar dela como cuidei e vê-la crescer. E ainda tem a melhor parte: encontrar desenhos abstratos, secretamente feitos em seu caderno de trabalho, ao virar de uma página. Feliz Dia das Mães!

Luciana Fuoco é jornalista, assessora de imprensa do Grupo Cia de Talentos, mãe da Sofia e do Pedro (que chega logo mais). Casou aos 22 anos porque quis e trocou São Paulo pelo litoral. Não vai à praia quase nunca, mas vê o mar todos os dias no lugar do trânsito. Descobriu na maternidade sua melhor versão. Aprendeu a equilibrar diversos pratos sem quebrar nenhum e segue feliz entre textos e – logo mais – novas fraldas.