Preciso mudar de curso para trabalhar com o que gosto?


14/11/2017
Por Inoven

É essa a pergunta da vez. Se o papo é início de carreira ou entrada no mercado de trabalho, ela aparece. Acompanhada, claro, do balanço de cabeça confirmando que ninguém está sozinho. Eu também preciso saber se mudo de curso para trabalhar naquela área. As áreas variam, mas a dúvida não.

O SEU CURSO NÃO DETERMINA A ÁREA EM QUE IRÁ TRABALHAR
 
Será que o mercado de trabalho está preparado para contratar pessoas de diferentes graduações para uma mesma atuação profissional? O pior é que nem dá para pedir ajuda aos universitários, são deles a pergunta. A resposta varia porque depende dos muitos fatores que a envolvem. O certo é que esse movimento está acontecendo, só que ele ainda não é a regra. Matemáticos no RH, biólogos no Jurídico, farmacêuticos no TI. As escolhas profissionais precoces, a velocidade das mudanças no mercado de trabalho e a dificuldade que as universidades têm de acompanhá-las sugerem um caminho sem volta: ou a gente muda ou a gente muda.

OS SEUS VALORES VALEM MAIS DO QUE O SEU CURSO E INSTITUIÇÃO DE ENSINO

Não dá mais para discutir se talento e produtividade têm nome de curso ou sobrenome de instituição. Não têm e se na sua empresa as definições de contratação ainda não foram atualizadas, essa é a hora. O aprendizado técnico de uma função está cada vez mais acessível, o que está difícil de ensinar são os valores e as atitudes que o dia a dia exige e isso ainda não está na maioria dos currículos.

COMO COMUNICO A MINHA DECISÃO PARA O MERCADO?  

Lógico que o papo não termina, ele continua. E o que eu falo na entrevista? Não vai pegar mal dizer que mudei de ideia ou que eu não quero trabalhar com aquilo que propõe o meu curso? Quais empresas vão me aceitar? Aí a coisa complica. Quem está preparado para lidar com isso? Como faz para sair da época que sem um diploma específico não tinha contratação? A graduação, hoje, tem cumprido um papel de preparo do estudante na forma de pensar e ver o mundo. É como se, ao final do curso, os formandos recebessem uma lente, mas não um diploma, muito menos uma carreira.

A MUDANÇA ESTÁ NAS SUAS (E NAS NOSSAS) MÃOS 
 
A educação profissional está acontecendo na prática, no próprio mercado de trabalho ou muito antes disso. Não tem um culpado, muito menos um herói. O fato é que somos nós que vamos testar essas novas possibilidades, quem contrata e quem é contratado. Então, dá sim para ter engenheiro aeroespacial no RH. O que não dá é para ser infeliz no curso. Uma coisa é gostar do curso, mas não se ver atuando profissionalmente com aquilo que o presente oferece. Outra coisa é ser infeliz todo dia só para terminar o curso e entregar para o mercado de trabalho a responsabilidade pela sua carreira.
 
É essa a pergunta que eu devolvo sempre: você quer mesmo fazer parte de uma mudança de paradigma ou está adiando fazer suas próprias escolhas? Delas não dá para fugir.

Por Renata Magliocca
Consultora de Inovação